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Brasil tem problemas mais graves do que os da “lava jato”, diz jornalista

Os procuradores da República integrantes da autodenominada “força-tarefa da lava jato” argumentam que a operação aborda os principais problemas do Brasil. Contudo, a análise dos processos que entraram no Judiciário em 2019 demonstra que o país tem questões muito mais urgentes a serem resolvidas. É o que afirmou o jornalista Eduardo Oinegue nesta quinta-feira (30/7) na rádio BandNews FM.

Com base em dados do Conselho Nacional de Justiça (veja lista completa abaixo), Oinegue apontou que 2/3 das ações movidas em 2019 são cíveis, consumeristas, previdenciárias, tributárias e penais (sem contar os delitos investigados pela “lava jato”, como os financeiros e contra a administração pública).

“Nesse bloco [2/3 dos processos] não tem força-tarefa, não tem ‘lava jato’, não tem busca e apreensão, não tem Deltan Dallagnol, não tem Sergio Moro, não tem nada disso. Nada. Aí vamos olhar onde estão Deltan Dallagnol, Sergio Moro, força-tarefa, PowerPoint, prisão preventiva, prisão temporária… São os crimes ligados à administração pública. Crimes, por exemplo, ligados à Lei de Licitações, representam 0,01% dos processos. Crimes de lavagem de dinheiro: 0,01%. Crimes previstos na Lei das Organizações Criminosas: 0,01%. Crimes contra a ordem econômica: 0,008%”, apontou.

O jornalista fez a ressalva de que a “lava jato” revelou e encontrou uma lista importante de “bandidos”, como os emedebistas Geddel Vieira Lima, Sérgio Cabral e Eduardo Cunha e disse que é preciso se livrar desse tipo de político. Mas esse não é o principal problema do país.

“O Brasil tem uma lista enorme de problemas, que exigem a nossa atenção e precisam de cuidado. Tem um monte de juiz corajoso, tem um monte de procurador corajoso lutando contra o PCC, o roubo de carga, o tráfico de drogas, crimes ambientais. Mas atenção: a impressão é que o Brasil só tem um problema, é todo “lava jato”. Como se a “lava jato” fosse a única coisa que prestasse e tivesse razão de existir no Brasil.”

Citando a grande maioria de processos cíveis, consumeristas, previdenciários, tributários e penais em geral, Oinegue questionou: “Cadê o Ministério Público se entregando a essas causas com o destaque e atenção, os PowerPoints e dallagnois da vida [que emprega na “lava jato”]?”

Iniciada em 2014, o consórcio hoje tem uma estrutura de 13 procuradores e 14 servidores e gasta mais do que 20 unidades do Ministério Público no Brasil, ressaltou Oinegue. E os procuradores da operação viraram, segundo o jornalista, uma instância de poder, que não quer se submeter aos controles do MP.

Basta ver a acusação “muito grave” do procurador-Geral da República, Augusto Aras, de que eles mantêm uma estrutura escondida de informação sobre 38 mil pessoas, com 50 mil documentos que não podem ser acessados pelo restante da instituição. Pior que isso é a camada eletrônica que permite a integrantes da “lava jato”, segundo Aras, mexer em processos, retirando e colocando páginas nos documentos, relatou Oinegue.

Outro exemplo de que a “lava jato” virou uma instancia de poder é a atitude dos procuradores desvinculada do MP. Eles comentam tudo o que o PGR e ministros do STF falam, citou o jornalista. Ele também apontou que Sergio Moro deixou a 13ª Vara Federal de Curitiba para virar ministro da Justiça e que, se Moro e Dallagnol formassem uma chapa para as eleições de 2022, teriam muitos votos.

Fonte: Conjur


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