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IA no Direito: o dilema entre a eficiência operacional e a essência da advocacia


04/08/2026

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa do futuro para se consolidar como uma realidade operacional na rotina jurídica brasileira. Em um ambiente de alta demanda, volumetria de processos e prazos cada vez mais curtos, a tecnologia surge como uma aliada indispensável para dar vazão ao trabalho. Esse cenário de transição acelerada é chancelado por um levantamento da AASP - Associação dos Advogados de São Paulo: realizado com mais de 1.100 profissionais, o estudo revela que 87,4% dos advogados brasileiros já utilizam IA em suas atividades.

O levantamento aponta ainda que 84,3% dos profissionais relatam ganhos expressivos de produtividade — especialmente em pesquisas jurídicas, organização de documentos e análise de jurisprudências —, enquanto 95,6% acreditam que a inteligência artificial transformará profundamente a profissão na próxima década.

Diante desse panorama, uma provocação se impõe ao mercado: como utilizar a inteligência artificial para ganhar eficiência e velocidade sem comprometer a essência do trabalho jurídico, que exige capacidade analítica, julgamento crítico e responsabilidade ética?

Para Carlos Manino, diretor de Soluções e Negócios da TOTVS JuriTIs, a discussão atual não deve ser sobre a adesão à tecnologia, mas sobre a forma como ela é incorporada às rotinas dos escritórios e departamentos jurídicos. "A IA veio para ficar. Isso já é um fato consolidado no mercado. O que ainda está em construção é a maneira como o profissional se relaciona com ela. A tecnologia não deve substituir a capacidade intelectual do advogado, mas sim liberá-lo de tarefas repetitivas para que ele foque no que realmente importa: a estratégia, a argumentação e a tese jurídica", afirma Manino.

Eficiência com responsabilidade

O avanço da tecnologia no setor trouxe à tona debates cruciais sobre governança, proteção de dados e limites éticos. Recentemente, a própria OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) avançou na estruturação de diretrizes para o uso de IA na advocacia, reforçando dois pilares fundamentais: a imprescindível supervisão humana sobre qualquer conteúdo gerado por algoritmos e a responsabilidade irrestrita do profissional pelo resultado entregue.

Nesse contexto, o caminho para uma adoção segura passa por definir com clareza em quais etapas da operação a inteligência artificial agrega valor sem gerar riscos. Automação de cadastros, captura de prazos processuais, geração de relatórios financeiros, leitura de petições e controle do tempo trabalhado são áreas em que a tecnologia entrega precisão e agilidade — mantendo o advogado no controle do processo.

"O setor jurídico lida diariamente com informações de altíssima sensibilidade, prazos fatais e decisões de alto impacto financeiro e reputacional. Quando a inteligência artificial é implementada com governança, regras de compliance e alinhamento à LGPD, ela amplia a capacidade de entrega e dá escala ao negócio. Quando é usada de forma genérica e sem controle, ela cria vulnerabilidades e riscos operacionais sérios", alerta o executivo.

Soluções especialistas no ecossistema brasileiro

Com mais de 1,3 milhão de profissionais registrados na OAB — a segunda maior advocacia do mundo —, o Brasil possui um sistema jurídico com dinâmicas e complexidades bastante singulares. Tribunais eletrônicos heterogêneos, uma das legislações tributárias e trabalhistas mais complexas do planeta e um volume avassalador de novos processos exigem ferramentas desenhadas sob medida.

Não por acaso, a pesquisa da AASP aponta que 90,3% dos advogados preferem utilizar soluções desenvolvidas especificamente para o ecossistema jurídico brasileiro.

É exatamente para responder a essa demanda por especialização que a TOTVS JuriTIs atua, combinando a inteligência artificial à governança. As soluções TOTVS para o segmento jurídico já são utilizadas por mais de 54 mil usuários diários, incluindo dez dos escritórios mais admirados do país, segundo o anuário Análise Advocacia 500, e mais de 200 departamentos jurídicos corporativos. A tecnologia conta com assistentes em linguagem natural, que respondem a consultas sobre faturamento e andamento de casos, enquanto a leitura automática de petições e o preenchimento de dados garantem rastreabilidade e acuracidade.

Para Carlos Manino, o dado do mercado sintetiza o momento maduro que a advocacia atravessa: a verdadeira corrida atual não é apenas por inovação, mas por tecnologia que compreenda a fundo o Direito e a realidade do país.

 

"A inteligência artificial, quando implementada com o olhar especialista e focado na rotina jurídica, não concorre com o advogado. Pelo contrário: ela assume a complexidade operacional para que o profissional faça o que nenhuma máquina é capaz de fazer: pensar, criar estratégias, argumentar e responder com excelência pelo trabalho", conclui Manino.

Fonte: www.migalhas.com.br

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