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Juntas Comerciais endurecem regras e passam a anular registros que imitam marcas famosas
O nome de uma empresa deixou de ser apenas um dado no papel para se tornar uma peça estratégica no mundo dos negócios.
Com a entrada em vigor de novas normas (IN DREI 1/25), as Juntas Comerciais ganharam poderes que antes eram quase exclusivos da Justiça. Podem, agora, atuar diretamente para evitar que empresas usem nomes idênticos ou muito parecidos com marcas já conhecidas.
Até pouco tempo, as Juntas funcionavam principalmente como um local de arquivamento. Agora, o órgão tem o dever de analisar se um novo nome pode causar confusão no mercado ou se prejudica marcas já registradas no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial).
O que muda na prática?
A principal mudança é a maior agilidade para resolver conflitos. Se antes uma empresa precisava entrar com um processo demorado na Justiça para impedir que um concorrente usasse um nome parecido, agora as Juntas Comerciais podem intervir administrativamente.
- Poder de veto: A Junta pode impedir o registro de nomes que imitem marcas famosas ou termos criativos já registrados em outros órgãos.
- Fiscalização e punição: O órgão agora pode abrir processos internos, bloquear cadastros e até cancelar o registro de uma empresa. Isso se houver provas de que o uso do nome foi cometer fraudes ou enganar clientes.
- Análise de mercado: A atuação passa a considerar se o nome pode gerar “concorrência desleal” ou roubo de clientela, protegendo a reputação e o valor do negócio.
Proteção em outros estados
Outra novidade importante facilita a vida do empresário que atua na internet ou em todo o Brasil. O nome empresarial, por regra, só é protegido no estado onde a empresa foi aberta.
No entanto, a nova norma permite que o dono do negócio peça a extensão dessa proteção para outros estados, mesmo sem abrir filiais neles.
Essa medida evita que “oportunistas” registrem o mesmo nome em outras regiões para aproveitar a fama de uma empresa já estabelecida.
Nome empresarial vira “ativo” de valor
Para especialistas, o nome da empresa passou a ser um patrimônio tão importante quanto os produtos que ela vende. A mudança de regra exige que empresários e advogados fiquem mais atentos: o registro não é mais uma mera burocracia, mas uma forma de garantir a sobrevivência e a identidade da marca em um mercado cada vez mais digital e competitivo.
O desafio agora será garantir que as Juntas Comerciais usem esse novo poder com equilíbrio, resolvendo conflitos rapidamente sem criar burocracias desnecessárias para quem quer empreender.
Fonte: www.conjur.com.br